domingo, 26 de abril de 2015

O que importa são as emoções que vivi

Hoje o espéctaculo vai ser outro. Não é cinema nem literatura...é futebol. Para aqueles que gostam de repudiar o futebol por ser um desporto e não algo de calibre cultural, eu digo-vos que sois estúpidos.

É ridículo pensar algo que move multidões como algo de menor grau de importância. Prefiro mil vezes um bom jogo de futebol a um filme pseudo intelectual, todo indie acerca de uma relação que correu mal em que os protagonistas sofreram muito (tadinhos)e bla bla bla bla

Um jogo de futebol tem tudo o que é preciso para umas horas bem passadas. Começa com cervejas e bifanas minadas de prognosticos para o que se segue e para os efeitos de possiveis acontecimentos, depois mais cervejas. Eventualmente acontece o verdadeiro jogo e um bom jogo pode muito bem ser poesia, ou um bailado ou um filme fantástico regado a cerveja, cânticos, gritos de felicidade gritos de raiva e choros de alegria ou tristeza e cervejas. Quañdo chegamos ao fim estamos extasiados ou depressivos, de qualquer formas sentimos uma panóplia de emoções que não se sente, pelo menos eu não sinto, a ver esses mesmos filmes que mencionei anteriormente e que não repetirei para prevenir o vomito de me surgir na garganta. Mas apesar dessa tristeza/felicidade foi uma luta até ao final, foi algo imprevisivel, como um bom filme deve ser, como uma boa história deve ser. O desfecho deixa-nos bem ou mal, mas é sempre bom. E depois de tantas emoções lá vem mais uma catrefada de conversas parvas, gozar com os perdedores, mandar os vencedores comer uma gloriosa piça e claro mais cervejas e bifanas que o corpo também se recente de tanta acção.

É isto, quem diz que não tem valor para o país é estupido ou simplesmente burro...e muito estupido.

E não esquecendo que dentro de 15 minutos temos o jogo do campeonato e que estou nervoso, estou pronto para tudo, seja vitória, derrota ou empate. Perder nuca me afetou muito, não o faço com frequência e quando o faço sei que estou um jogo/luta mais perto da vitória que acaba sempre por chegar, porque (para terminar, aqui vem uma clichezada bonitinha) o verdadeiro derrotado é aquele que desiste de lutar por algo que gosta, não levando a cabo todos os meios ao seu dispor. Eu nunca me senti derrotado, eu volto sempre a acção pelo que gosto, seja o meu clube, trabalhos, alguma mulher, nada merece a desistência se gostamos disso e claro, algo que gostamos é algo que nos consegue tirar do sério, se não o fizesse era porque não interessava. Dito isto, vou sair de casa que faltam oito minutos e eu não posso perder um segundo disto.

Termino com....

Se chorei
Ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi



E que ganhe o Benfica  :D

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Natureza Obsessiva

Hoje não vou falar directamente de filmes, vou falar do que me leva a escrever e a fazer tantas outras coisas na minha vida.  A resposta é simples. Tenho uma natureza obsessiva, por mais que pense no que me leva a escrever a filmar ou outras mil e uma coisas, a resposta acaba sempre no mesmo lugar.
Quem me conhece realmente bem sabe que sou obsessivo com muitas coisas. Preciso compreender tudo o que me rodeia. Quando encontro respostas, tenho que pensar mais, colocar novas questões que ponham à prova as anteriores e que de preferencia não deixem lugar para mais.

Ser obsessivo não é mau de todo...
Para alguém que quer criar algo, é bom. Os detalhes são importantes, tem que haver minuciosidade naquilo que se faz, não deixar pontas soltas. É assim que gosto de criar, faço centenas de perguntas para adiantar uma resposta que me satisfaça. É cansativo mas traz uma satisfação que poucas vezes alcanço. Estou a escrever uma série. Está demorada mas está a avançar e, aos poucos, vou sentindo um prazer gigantesco ao ver os pontos que espalhei ligarem-se perfeitamente na história mais lunática que alguma vez coloquei em papel. Foda-se, se a minha mania pelos "porquês" se ficasse só pelo papel, era um homem estupidamente feliz. Mas não fica, está em tudo o que faço, em tudo o que digo e penso. É uma merda!


Acerca de obsessões 
I'm their slave... and one day they'll choose to destroy me.
The Prestige


 ...Ser obsessivo não é bom de todo.
Para alguém que quer viver, é mau. Os detalhes são coisas voláteis, procurá-los e analisá-los é um erro grave. A procura da compreensão de tudo o que está em redor pode destruir tudo o que vemos. Faço centenas de perguntas, tento compreender tudo até encontrar uma resposta que me satisfaça. É cansativo e nunca me traz satisfação alguma, só mais cansaço e desanimo. Ao contrario de quando estou a criar, na vida real quando vejo os pontos que espalhei a ligarem-se perfeitamente, fico devastado ao ver as histórias que destruo ao ser lunático. Foda-se esta mania pelos "porques" pelos "quandos" pelos "ondes" por não saber ficar calado, por procurar acrescentar sempre algo mais. As perguntas são algo bom, não pensem que digo que não o são, é bom perceber algumas coisas, mas quando são demais e descontroladas, quando queremos perceber tudo, muitas vezes estamos a matar a beleza do que queremos compreender...ou alguma merda assim do género. É uma merda!

Escrevo e vivo de forma obsessiva, Preciso compreender tudo o que me rodeia. Quando encontro respostas, tenho que pensar mais, colocar novas questões que ponham à prova as anteriores e que de preferencia não deixem lugar para mais.

Mas isto é um animal que nunca fica saciado.



E fica uma musiquinha para acompanhar






“Sometimes you have compulsions that you can’t control coming from the subconscious … they are the dictator inside ourselves.”

sábado, 7 de março de 2015

Hora de Vingança

Porra,

acabei ontem de ver a trilogia de vingança do Chan-Wook Park.

Bem, para quem não sabe os três filmes são "Oldboy" (o mais conhecido), sympathy for lady Vengeance e Sympathy for Mr. Vengeance.

O Oldboy que já é muito conhecido, até tem um remake merdoso e tudo, feito pelo Spike Lee que devia andar com falta de dinheiro ou com falta de cérebro, é um filme sobre vingança, no entanto passamos o filme todo a achar que estamos a seguir o vingador, no entanto acabamos por estar a seguir aquele que está a ser a vitima da vingança. Argumento é estupidamente original, desde a ideia de alguem estar preso 15 anos num quarto sem saber porque, até ao final em que nos é revelada toda aquela verdade macabra. No entanto não é neste que estou mais interessado em falar.

Sympathy for Lady Vengeance é um filme lindo, com uma realização linda, desde as cores aos planos trabalhados até ao mais pequeno pormenor, passagens perfeitas eoutras coisas mais. No entanto este filme, apesar de muito bom, deixou-me um pouco desapontado porque no fundo é uma simples história de vingança. Vemos uma mulher a vingar-se de um homem com um plano construído há 13 anos atrás. Não há um grande twist, algo que me tivesse deixado boquiaberto...talvez a cena da tortura tenha deixado um bocadinho, mas ainda assim foi pela ideia de uma vingança colectiva e tratada como se fosse uma simples ida ao talho. Todos tiram um numero e esperam pela sua vez para torturar um merdas. É bom, no fundo é só isso. É bom, mas depois de ver os outros dois, uma pessoa fica mal habituada.

Finalmente o pote de ouro. Sympathy for Mr. Vengeace. É um filme do caralho! Ca puta filme ("ah ele usou o nome do blog! hihi que giro" .I.).

Não é uma simples história de vingança, é um mundo de caos onde a razão e o bem e o mal não existem. Ou melhor existem, mas é tudo relativo. É tudo tão...realista. Não ha uma forma de fazer distinção entre bem e mal, existem simplesmente pessoas que estão em posições de merda. Pessoas que todos os dias lutam para sobreviver e para ter uma vida e que se encontram em momentos em que a única escolha é seguir um caminho não tão bondoso. Não por serem mas pessoas, mas porque as condições exteriores as levam a tomar decisões que não tomariam em condições normais. A verdade é que chegamos ao fim do filme sem poder apontar o dedo a alguem como sendo o MAU do filme. Isso não existe. Todos eles fazem coisas erradas e todos eles merecem vingança. E todos eles conseguem vingança.

Tomamos a definição de bem e mal como algo totalmente absoluto. Somos estúpidos. Não temos acesso a tudo, a toda a informação que nos diz por razão as pessoas fazem o que fazem. Simplesmente julgamos dentro do nosso espectro de conhecimento e isso por norma dá em conclusões erradas. No entanto, o facto de não sabermos as razões que levaram alguém a matar, mesmo que sem querer, um ente querido, não invalida a nossa busca por vingança, e essa vingança mesmo que justificada não invalida que alguem se vingue de nos por nos termos vingado.

Isto dava para continuar interminavelmente.

Sympathy for Mr. Vengeance é isto. É vingança atrás de vingança, atrás de vingança, perpetuada por pessoas que querem ver a sua dor paga com o sangue de quem a criou.

É um mundo de caos. É o mundo em que vivemos.

Só queremos o melhor para nós mesmos.
E porque não?